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AS ÚLTIMAS HORAS DE UM REI. Por Carlos Barros

Execução de Luiz XVI. Fonte: Wikipédia

AS ÚLTIMAS HORAS DE UM REI

Autor – Carlos Barros


É o dia da morte do último rei da França. Luiz XVI aguarda o fim de sua existência. Veio ao mundo como um soberano, um descendente de reis. Agora não passa de um simples prisioneiro jogado numa masmorra. Sente-se solitário. Todos os amigos foram mortos ou desapareceram. Sente saudades da sua rainha. Maria Antonieta, seu grande amor. O rei está desolado, inconsolável. Perdeu seu reinado. A primeira morte em vida.

Lembranças de um rei. Dos momentos maravilhosos no Palácio de Versalhes. Da corte, dos cortejadores, dos bajuladores. Recorda que seus conselheiros falaram de rumores sobre a insatisfação do povo, sobre movimentos revolucionários. Não quis ouvir. Quem ousaria afrontar o rei da França? Agora é tarde demais. Todos clamam por sua cabeça.

Para seus inimigos é a hora da vingança. Para os idealistas burgueses é a hora do nascimento de um novo mundo. Luiz sabe que suas chances são remotas, mas seu coração ainda guarda certa esperança. Talvez os líderes revolucionários mudem de ideia. Talvez possa escapar com ajuda de antigos súditos. O tempo passa e nada acontece. Sente fome. Seu banquete se resume a uma migalha de pão.

Luiz perde toda a esperança. Olha para o guarda e pergunta sobre sua rainha. Recebe o silencio como resposta. Deseja abraçar Antonieta pela última vez. Beijar seu filho, o herdeiro do trono. Chora compulsivamente. Eis que surge uma surpresa. O carcereiro chama por seu nome. Ao levantar a cabeça, Luiz XVI vê sua mulher. Atendendo ao pedido do filósofo Immanuel Kant, o governo revolucionário permitiu que Maria Antonieta visitasse o marido. Abraçam-se em lágrimas. Não conseguem expressar qualquer palavra. Estão proibidos de conversar. A visita dura poucos minutos. O guarda arrebata a rainha dos braços de Luiz. Foi o último encontro.

Oito horas da manhã. O céu de Paris nunca esteve tão azul. Um padre e um ajudante de carrasco adentram na cela. O rei sente todo seu corpo tremer. Ajoelha-se diante do sacerdote. Chora de forma incontrolável. Pede perdão. Implora uma chance ao Todo Poderoso. O clérigo cumpre seu papel. Escuta o condenado e depois se retira. Luiz recebe ordem para se preparar. Não tinha o que preparar.

É levado para uma carroça com as mãos amarradas para trás. A multidão se aglomera e insulta o prisioneiro real. O cortejo segue para a praça pública. Gente do povo se acotovela para assistir ao grande espetáculo de morte. Estranhamente, Luiz parece impassível diante do que acontece ao seu redor. De repente, seus olhos vislumbram a monumental máquina de cortar cabeças. A guilhotina faz o rei estremecer. Sente uma profunda vertigem.

Os guardas tentam conter a multidão enfurecida. Luiz encontra-se dominado pelo medo. É forçado a descer da carroça. Começa a caminhar para o cadafalso. Alguns degraus o separam da morte. O carrasco espera impaciente. Iria fazer a lâmina cair sobre o pescoço de um rei. Ao pisar no primeiro degrau, Luiz XVI tropeça. Pede um pouco de água. Alguém lhe estende uma caneca com vinho. Enquanto bebe, sente uma mão sobre seu ombro. É a mão de um filósofo. Immanuel Kant o acompanha até os últimos instantes. De novo a subida. Cada degrau parece uma eternidade. Finalmente está diante do carrasco. Sem a peruca real, o vento espalha os cabelos do rei. Ele olha para o céu. Evita olhar para seus antigos súditos. São milhares que agora ofendem e humilham.

O carrasco ordena que ele deite na prancha. Luiz não obedece. Tenta correr. É impedido. Não há escapatória. Está tomado pelo terror. Não quer olhar para a lâmina que brilha com os reflexos do sol. Colocado a força na tábua da guilhotina, Luiz XVI grita e pede clemência. Nesse instante o carrasco sente compaixão e diz que Sua Majestade não deve ser covarde perante o povo da França. Luiz não escuta. Não quer escutar. Grita. Implora. Tem medo da morte. O rei está descontrolado, apavorado. Finalmente é emudecido pela guilhotina. O sangue real escorre entre a madeira do cadafalso. O carrasco de Paris cumpre seu papel ao finalizar o lúgubre espetáculo: mostra a cabeça de Luiz XVI para o povo. Em minutos a praça fica vazia. Apenas um homem observa o corpo do rei: Immanuel kant.

Por Carlos Barros


Saberes e Olhares

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