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Artigo – “ Fantasias Sexuais”. Por Arlete Gavranic


A Vênus de Rokeby

A Vênus de Rokeby – Diego Velázquez

FANTASIAS SEXUAIS

O que pode estar por trás do desejo da mulher que fantasia ser " a prostituta" ?

Por Arlete Gavranic – Psicóloga e Terapeuta Sexual

“Em primeiro lugar é importante lembrar que Fantasia sexual é ‘Algo que é fruto da imaginação, do devaneio, de um sonho’ e que está relacionado à sexualidade.Também é importante lembrar que as fantasias ajudam a estimular o desejo sexual (Masters e Johnson em Livro Heterossexualidade -1994), e que ‘ são representações mentais dos desejos sexuais mais ardentes de uma pessoa’(Helen S. Kaplan no Livro Heterossexualidade -1994) mesmo quando possam parecer inconcebíveis racionalmente para algumas pessoas.

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Mas como nos define muito bem Joseph Lo Piccolo, “A fantasia sexual é um meio de envolver o corpo e a mente para o prazer sexual” no livroDescobrindo o Prazer, 1981. Assim, a podemos tirar que as fantasias sexuais podem potencializar nossa sexualidade, nos levando a uma busca maior do prazer, mesmo que jamais tenhamos condições de realizá-las! Aliás, uma das funções das fantasias, além de ser um estímulo para atividades sexuais e para sair da rotina, e também a de se permitir vivenciar situações consideradas “impossíveis” para aquela pessoa na vida real. Isso mesmo, esse é um dos fatores motivadores que levam muitas mulheres manifestando o desejo de viver esse papel ‘de prostituta’.

Mas porque será que tão frequentemente essa fantasia sexual ocorre para mulheres, jovens ou maduras, que tenham uma vida sexual ativa ou não?

As mulheres no geral sofrem muito com a autocensura, pois a educação da grande maioria das mulheres foi (e muitas vezes ainda é!) centrada na postura de mulheres corretas, direitas e nas outras, as ‘da vida’, ‘as que fazem de tudo’. Acredito como psicóloga que este seja um fator relevante para a grande demanda de perguntas e dúvidas referentes a esse tipo de fantasia, ‘será que sou pervertida e não sabia?’, ‘será que sou uma mulher vulgar e só agora isso está se manifestando em mim? Tenho tido uns desejos intensos e estranhos’, ‘adoro viver essa fantasia, ela me excita muito, mas tenho medo de estar sendo imoral ou alimentando um desejo perigoso, pois sempre fui uma moça e mulher distinta.’, ‘será que essas fantasias de ser a prostituta podem me fazer querer viver isso de verdade – só penso no meu marido, mas tenho medo de perder o controle, pois essas idéias me deixam louca, e com um prazer como nunca tinha vivido antes’, ou seja, muitas mulheres ainda se auto censuram, se culpam por ter essa fantasia pois tiveram uma educação geralmente repressora quanto a sexualidade, e focalizam na prostituta a imagem de uma permissividade socialmente rejeitada.

Quando pergunto a essas mulheres o que mais as mobilizam nessa fantasia, o que elas pensam ou sentem dessa prostituta que fantasiam, muitas respondem que ‘essa é uma mulher liberada que ‘pode se permitir’ viver tudo em relação ao sexo sem restrições’, ‘que é aquela que pode fazer o que e como tiver vontade’, ‘que sendo uma prostituta pode soltar-se e manifestar seu desejos’, ‘só assim consigo tirar prazer de fazer ‘coisas loucas’; ou ainda que ‘assim posso tomar a frente e comandar a relação segundo meus desejos, sem ter que satisfazer só o que ele gosta’.

Embora muitas mulheres me digam que conseguem dividir essa fantasia com seus parceiros e que muitos deles adoram a idéia, se excitam e até participam ajudando a criar um clima para deixar essa vivência bem realista, como ir para hotéis (desde hotéis finos até aqueles bem diferentes do que eles freqüentariam), ir a motéis, usar espartilhos ou até combinam de sair para se encontrarem em algum bar ou restaurante, mas sem usar lingerie para sentir que está pronta para qualquer ‘programa que pintar’; algumas chegam a cobrar realmente por essa noite, entre outras tantas vivências descritas.

Mas também existem mulheres que relatam terem confessado essa fantasia aos parceiros e que foram criticadas, humilhadas, ‘pois uma mulher decente mesmo nunca pensaria em se rebaixar desse jeito’, afinal, a mesma educação repressora ou moralista quanto aos comportamentos sexuais também é vivida por muitos homens, que realmente tem muita dificuldade em distinguir e entender que a fantasia sexual não significa o desejo de viver essa prática na realidade social da vida desta mulher, mas só de viver, de realizar esse desejo intimo, com esse parceiro.

Por isso mesmo, é sempre importante que as mulheres antes de dividirem essa fantasia sexual com seus parceiros, percebam se eles apresentam um perfil de quem se estimularia com essas idéias ou se eles tem chance de se assustarem. Se a 2ªopção for mais provável, talvez seja melhor você manter sua fantasia só com você, pelo menos enquanto estiver com esse parceiro, e vive-la como estímulo para o seu desejo e seu prazer só no seu pensamento! Afinal, essa fantasia parece estar ligada a um desejo de se soltar e se permitir viver sua sexualidade sem restrições e com muito prazer!

E a fantasia da submissão masculina? Enfrenta prazeres ou dificuldades ?

Embora os homens sofram menos com proibições culturais, mas também receberam uma educação que lhes colocou padrões psico emocionais de comportamento de dominação, força, direção. Mas não é tão raro receber depoimentos de homens que fantasiam e muito se excitam em serem dominados, não necessariamente uma dominação que envolva castigos ou punições físicas (como encontramos freqüentemente com pessoas que vivem relações sado-masoquistas) mas uma dominação sexual relacional, serem seduzidos, surpreendidos, terem que ser obedientes aos desejos de suas parceiras, alguns podem gostar até de serem algemados, mas o que eles gostam mesmo ‘é de uma mulher que chegue e mande, conduza o sexo do jeito que ela goste e me faça de seu escravo do prazer’, ‘adoro aquela mulher decidida que chega e faz o que tem vontade, e eu obedeço e tenho o maior tesão em me sentir sendo dominado por ela’, ‘é uma delícia poder ter alguém que conduza e não fique esperando que eu seduza, que eu beije, que eu acaricie e estimule, mas que chega e diz como quer ou então que já chega fazendo acontecer, comandando’.

Estranhamente complementar a fantasia de muitas mulheres acima descrita, esses homens que adoram serem seduzidos e até submissos à mulher no ato sexual querem quebrar o padrão imposto educacionalmente de que eles deveriam conduzir a relação sexual. Você pode estar pensando que isso é ultrapassado e que hoje tudo está mudado, mas em muitos relacionamentos essa regra é uma expectativa alimentada ainda pela mulher que espera seu parceiro dar a dica de desejo para então manifestar seu desejo e entrar na relação. Mas muitos homens temem que suas parceiras o interpretem como fracos, submissos ou ‘gays’, e muito freqüentemente recebo perguntas de mulheres se esse tipo de desejo de seus parceiros possa ser indicativo de ‘uma personalidade fraca’ ou de alguma outra anormalidade.

Fica aqui a dica, será muito saudável se homens e mulheres se permitirem viver seus desejos e fantasias sexuais sem tantos padrões pré estabelecidos, mas centrados no tesão e no afeto da relação, homens querem seduzir sim, mas também podem adorar ser seduzidos ou comandados nessa intimidade sexual, e isso pode ser um prazer a mais a ser vivido pelos dois. Aproveitem mais essa variação sexual”. Fonte/Créditos: ISEXP


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