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AMIGAS. Por Carlos Barros

Shared Correspondance de Blassa, Eugene 1899

AMIGAS

Por Carlos Barros

Amélia é uma típica mulher independente. Divorciada e executiva numa empresa. Considera-se moderna. Aos quarenta anos costuma dizer que não pensa mais em casar. Dedica-se, exclusivamente, ao trabalho e aos dois filhos adolescentes. Vânia, ao contrário, é uma mulher dedicada inteiramente ao marido e ao único filho. Depois de concluir seu curso de Filosofia, resolveu ser apenas dona de casa e frequentar a igreja. São amigas desde a infância. Estudaram na mesma Universidade. Sempre que podem, se encontram para colocar as conversas em dia. Naquela sexta feira nada tinha sido combinado, mas Vânia ligou para sua amiga dizendo que precisava conversar. Estava angustiada. Combinaram para o fim da tarde. Foram para um pequeno restaurante.

– Oi, amiga, o que você tem? – Indagou Amélia.

– Não ando nada bem – Respondeu Vânia com olhos lacrimejantes.

– Não me diga que foi seu marido aprontando de novo.

– Você acertou.

– É por isso que não quero mais saber de casamento. Os homens são todos iguais.

– Mas eu amo Jarbas apesar de tudo, apesar das suas traições.

– Você devia se divorciar. Ir embora e deixar esse safado pra lá. Pega teu filho e some.

– Não posso fazer isso. Ele precisa de mim, e meu filho não pode ficar sem o pai.

– Mas o que foi dessa vez, minha amiga?

– Hoje encontrei um bilhete no bolso da calça dele. Muitas declarações de amor e palavras pornográficas. A canalha ainda teve o atrevimento de assinar: “beijo safado da sua A.” Nem posso imaginar quem seja essa tal de “A”. Mas não importa. Traição é traição!

– Pois é, tem muita mulher por aí que não respeita o homem da outra. Quero distância de homem casado.

– Mas não é só culpa delas, Jarbas é mulherengo. Já é incontável o número de vezes que descobri que tava me traindo. Não aguento mais essa vida!

– Pense minha amiga. Reflita e veja se vale a apena continuar sofrendo por um homem que não te valoriza.

Há uma breve pausa na conversa. Desta vez não pediram nada para beber. De repente, Amélia olha para o relógio.

– Você tem algum compromisso agora? Não quero te atrapalhar – Disse Vânia.

– Tenho sim, mas posso ficar mais alguns minutinhos.

– Você é minha melhor amiga. A única pessoa que confio.

– Obrigada, minha querida – Responde Amélia, demonstrando certa ansiedade.

– O que seria de mim sem você, minha doce Amélia. Se não fosse sua mão segurando a minha, me dando apoio nesse momento – Vânia não segura as lágrimas.

– Você sabe que pode contar comigo sempre, mas agora tenho que ir.

– Claro, minha amiga. Muito obrigada por ter me escutado mais uma vez  – Disse Vânia enxugando o rosto.

Despedem-se. Amélia sai apressada. Vânia continua sentada pensativa. Após alguns minutos, resolve sair. Caminha devagar. Pensa em tomar uma decisão. Pensa também na sorte em ter Amélia como amiga. Olha para o relógio. Aproxima-se a hora do jantar. Tem que chegar logo em casa, pois o filho está com a avó. É nesse instante que vê o carro do marido do outro lado da rua. Junto dele, uma mulher. A terrível surpresa. É Amélia. Vê sua amiga beijando Jarbas e depois entrando no carro. Mesmo longe, percebe que os dois continuam se abraçando. Vânia fica paralisada. Pálida. Suas pernas tremem. O chão parece sumir embaixo dos seus pés. Não sabe se chora ou grita de raiva. Lembrou-se do bilhete no bolso da calça do marido. Aquele “A” no fim do bilhete. Agora entendeu. Era “A” de Amélia. Sua melhor amiga que acabara de ouvir seu desabafo. Sente-se arrasada. Traída duas vezes. Observa o carro de Jarbas partir. Por isso ele chega tão tarde em casa. Aquela vagabunda! – Pensa. De repente, parece ser tomada por um surto de lucidez. Acalma-se. Pergunta a si mesma: não ama aquele homem? Não é o pai do seu filho? E daí se está lhe traindo com Amélia? Pelo menos é sua melhor amiga. Amiga com quem pretende ter bons diálogos. Amigas para sempre! Sorri levemente. Segue caminhando.

Por Carlos Barros


Saberes e Olhares

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4 Respostas »

  1. Que p… é essa, meu amigo… Elas trocaram o nome, a peste da Amélia deveria ser a traida, não a “traideira”.

    Ótima a sua página, só não concordo com o desfecho final desse texto, mas, devo admitir que existem muitas Vânias pela vida e Ámelias, semelhante a esta, cada dia mais o mundo está se proliferando delas.

    Abraços de luz

    • Oi, Nalva. Grato por sua visita e comentário. De fato, busquei nesse texto levantar as questões da amizade, fidelidade e da própria “conduta” do feminino em nossos dias. A troca do nome das personagens foi intencional. Fiquei feliz com sua participação. Seja sempre bem-vinda ao meu site Saberes e Olhares. Forte abraço! Carlos Barros

  2. adorei afinal isso acontece sempre, é bom as vãnias abrir os olhos com as Amélias rs. Tenho uma história linda de Geni e o coronel, outra do palhaço inocente de autoria do meu filho, q adora escrever, mas fica sempre no papel. Abraço

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