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Artigo – A MORTE EM NOSSO INCONSCIENTE. Por Carlos Barros

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Por Carlos Barros


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A problemática da morte é bastante presente no âmago do saber psicanalítico. Não podemos perder de vista que a invenção da Psicanálise, ou melhor, o discurso freudiano de um modo geral, acabou por se tornar uma dura crítica a modernidade. Não se deve supor que o aspecto mais significativo que envolve a invenção da Psicanálise seja, de certo modo, a pretensão de Sigmund Freud em apresentá-la como uma teoria objetivamente sustentada pelas regras do método científico. De fato, alguns conceitos elaborados por Freud – ou mesmo todo o seu arcabouço teórico – são interpretados, algumas vezes, como pura metafísica ou metapsicologia e, logo, distante da objetividade empírica e racional.

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A teoria freudiana revela a existência de três instâncias da mente: o consciente, o pré-consciente e o inconsciente. O consciente é instância que se encontra em contato direto com o campo da realidade, percebendo e dando sentido ao mundo interno e externo. O inconsciente, por sua vez, é tratado de duas formas: o pré-consciente e o inconsciente. Na verdade, o consciente não consegue abarcar todos os conteúdos mentais, percepções e representações que o envolvem. Dessa forma, parte desses elementos fica inconsciente por um determinado tempo. No que tange ao inconsciente, não há dúvidas de que se trata da instância mais importante do ponto de vista da Psicanálise, pois o inconsciente é uma instância dinâmica na qual ficam os elementos recalcados pelo indivíduo. Desejos de ordem sexual, determinadas lembranças ou mesmo desejos de destruição, são alguns dos elementos psíquicos que, diante das proibições morais e preconceitos do campo externo, ficam reprimidos e inacessíveis no universo do inconsciente. No entanto, tais desejos estão constantemente sendo impulsionados no sentido de serem saciados, o que acaba gerando um alto nível de ansiedade devido às censuras elaboradas pelas outras instâncias da mente.

Para Freud a estrutura psíquica não é algo estático. O desenvolvimento da mente é dinâmico e vai se estabelecer por meio de três componentes bem peculiares: id, ego e superego. O id é a parte orgânica, inata e primitiva, da qual emerge toda a energia mental oriunda dos instintos. E a função do id é, fundamentalmente, a satisfação de tais instintos. No id não existe o tempo, a organização, os valores morais ou qualquer tipo de arrependimento. Quanto ao ego, é o componente organizado da mente que está entre as forças provenientes do id e a realidade, é a parte que desenvolve suas representações do mundo exterior e busca, a todo custo, impedir que os impulsos instintivos possam se expressar o que, de certa forma, acaba gerando certo nível de ansiedade. No que tange ao superego, é a instância da psique que tenta garantir o equilíbrio entre o id e o ego. Nesse ponto cabe lembrar que a neurose pode se manifestar exatamente a partir de um conflito inconsciente, um conflito entre as forças instintivas, especialmente de ordem sexual, e as forças que buscam recalcar tais impulsos.

Para o discurso freudiano, o inconsciente não esconde apenas os desejos de natureza sexual, oculta também os impulsos destrutivos. No entanto, diante do campo da realidade, do mundo exterior cheio de normas e preconceitos, tais sentimentos e impulsos são reprimidos. A análise esbarra na resistência do indivíduo, como uma força dinâmica que parece ir de contra aquilo que é um dos principais objetivos do método psicanalítico: trazer à tona os sentimentos mais profundos, "desacorrentar" os desejos mais secretos. Assim, as preocupações de Freud vão se distanciando das mensurações e quantificações positivistas. Enquanto a psicologia tradicional se debruça sobre a consciência, a Psicanálise vai se estruturar sobre os domínios do inconsciente. Mas de que modo a questão da morte emerge na perspectiva freudiana? Freud não deixou de pensar sobre o assunto e, certamente, a sua tese do instinto de morte enunciada em Além do Princípio do Prazer é uma das mais controvertidas, o que acabou contribuindo para o desenvolvimento de múltiplas interpretações.

É diante de duas evidências básicas que Freud elabora seu ponto de vista. A primeira delas é o fato de que todos os homens morrem, o que já deixaria claro que o objetivo de toda existência é a morte. A segunda evidência está relacionada à violência ao longo da história, como é o caso das guerras, das perseguições e das relações autoritárias. A partir destas observações Freud chega a considerar, inicialmente, que esses acontecimentos estariam relacionados a uma hostilidade inconsciente, tendo como fonte os próprios impulsos sexuais. O inventor da Psicanálise, contudo, percebe que tal explicação ainda não é satisfatória para justificar o que ele considera como uma verdadeira prática de crueldade entre os homens. A teoria do instinto de morte emerge então para tentar explicar a maldade entre os homens. Assim, a morte é concebida como algo biologicamente inevitável, pois o organismo segue uma lei de “eterno retorno” ao estado inorgânico.

Nessa perspectiva, até mesmo o suicídio seria o resultado da luta entre os instintos de vida e os instintos de morte. Assim, a interpretação freudiana acredita poder lançar luz sobre o maior enigma da humanidade. Ao “naturalizar” a morte, ao colocá-la na ordem dos instintos, Freud, embora ainda se mantendo dualista, se contrapõe a negação ou a demonização de Tânatos tão presente no mundo moderno. Em outras palavras, a morte é um acontecimento inevitável que resulta de uma complexa dinâmica instintiva. Todavia, qualquer que sejam as possíveis elucidações ou interpretações advindas do saber psicanalítico, o fato é que nas sociedades ocidentais contemporâneas a morte, em certo sentido, foi diabolizada.

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